Arquivado em: Filarmónica Fraude, The Beach Boys | Tags: descobertas tardias
Compensava-se a falta de liberdades civis com a vontade de viver também o verão do amor. Podia ter tanto de vontade de beber da cultura pop que despontava mundo fora como de engenho (essa coisa do verão do amor prometia sexo a rodos).
E assim, dizem as más-línguas, terá sido concebido o menino. Numa espécie de estúdio de gravação numa quente noite do Estoril.
A mãe tinha vindo da Califórnia com o companheiro surfista que preferia passar os dias dentro das águas geladas da Ericeira e as noites a ganhar forças para a jornada seguinte.
O pai tocava num grupo de baile e conhecia bem o lado mais folclórico da nossa tradição, musical e boémia. E era manhoso, e determinado em levar o naco a bom porto. Nada que uma ginginha e dois dedos de conversa não resolvessem.
Nasce daí o puto: de cabelo loiro ondulado, atarracado mas atlético. Em fundo ouvia-se os Beach Boys a curtir um cozido das furnas e vinho carrascão.
Quando eu era pequenino
Acabado de nascer
Ainda mal abria os olhos
Já eram para te ver.Quando eu já for velhinho
Acabado de morrer
Olha bem para os meus olhos
Sem vida aonde te ver
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