Em Escuta


Vai de Roda – Ungaresca Saltarello
Maio 14, 2008, 10:45 pm
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Não sou metódico nas minhas recolhas. O que significa duas coisas diferentes.

Uma é que conheço mal as, sempre tão citadas, recolhas do cancioneiro tradicional português. Pelo menos na forma como foram captadas pelos Giacomettis e Sardinhas que andam sempre no bolso dos que levam a tradição a sério.

A outra é que não guardo listas de livros e discos em falta, e as minhas voltas pelos alfarrabistas, livrarias, discotecas e feiras da ladra e afins são totalmente anárquicas. Dispensam a visita a todas as bancas e estantes, resultam por vezes em compras que nada acrescentam ao que já está cá por casa.

Mas ainda assim, essa não estratégia negligente rende os seus proveitos.

Ela tinha acabado de se pegar com um vendedor da feira de Algés porque ele não a deixava tirar fotografias às centenas de brinquedos podres a passarem por antiguidades

O pequeno guerrilheiro esperneava perante a visão de uma praça cheia de pó e coisas inúteis.

Eu reclamava com uma quarentona armada em esperta que me queria vender um “precioso” vinil do José Afonso como se não fosse possível encontrar cinquenta outros em bom estado, sem quilos de pó em cima.

Na banca seguinte alguém despachava sobras do catálogo da extinta UPAV. Um deles era este Terreiro das Bruxas, lição perfeita sobre a forma como se escreve novo por cima da tradição, sobre rigor e saltos em frente.


8 Comentários até agora
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Ao contrário do que acontece com o último da Ronda dos Quatro Caminhos, que soa a reabilitação coxa de idos que nem queremos ouvir. Bolorento.

Às vezes vale a pena andar a meter conversa com os outros feirantes, p’ra te dar tempo de descobrir as pérolas que alimentam a minha preguiça.

Comentário por menina-alice

Pedro, essa “Ungaresca/Saltarello” é de um tal Giorgio Mainerio (sec XVI).

Ó pra ela:

http://icking-music-archive.org/scores/mainerio/balli-1/14_ungarescha.pdf

Comentário por João Lisboa

O que prova toda a minha ignorância e falta de método. De entre vários exemplos que seriam felizes eu optei pelo tiro ao lado. É típico. : )

Comentário por Pedro

“O que prova toda a minha ignorância e falta de método. De entre vários exemplos que seriam felizes eu optei pelo tiro ao lado. É típico. : )”

Hey, não era nada disso que eu queria dizer! Nestas cenas das músicas tradicionais há (e sempre houve – ora, vai lá procurar, por exemplo, nos Steeleye Span…) uma relação muito próxima entre “popular tradicional” e a chamada “música antiga” que tinha imenso de pop da época – no PdC já postei meia dúzia de exemplos disso mesmo. Por isso, até faz todo o sentido tanto os Vai de Roda como tu terem escolhido a “Ungaresca” nesse contexto.

E o link da partitura era para tu exercitares os dedos…

Comentário por João Lisboa

Claro que esse smilie é um idiota de um parêntesis…

Comentário por João Lisboa

Calma que eu ainda não tinha ficado profundamente deprimido. Podias ter demorado mais umas horas a clarificar (perdeste O concerto pá, lamento).

Esta coisa tem a mania de plantar smiles onde eles não são chamados.

Já a cena da pauta, é um bocado naquela, ia demorar anos a ler aquilo… e corria o risco de ler coisas que não estão lá escritas… mas às tantas o exercício dos dedos não ia mal, ah pois, é questão de optar pelo método do copy paste de ouvido que é o que conheço.

Comentário por Pedro

“Já a cena da pauta, é um bocado naquela, ia demorar anos a ler aquilo… e corria o risco de ler coisas que não estão lá escritas…”

Tem juízo. Se consegues ler minimamente uma pauta (consegues, não consegues? pelo, menos estava convencido que sim, as minhas apologies se não), aquilo é ceninha de putos do 5º ano (com um professor decente, claro…). Mas o copy+paste de orelha também serve.

O Concerto foi o meu momento pro-bono do ano.

Comentário por João Lisboa

Se conseguir ler minimamente é ter de estar a contar linhas uma a uma para perceber qual é a nota, e ter uma vaga ideia que uma bola tem uma duração maior que uma bola com pauzinho e se tiver traços por aí fora etc… sim, consigo ler minimamente, mas qualquer puto do 5º ano, com um professor que nem precisa de ser muito decente, corre o risco de me dar uma sova valente.
Mas vou imprimir a coisa, pode ser que me supreenda.

Comentário por Pedro




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