Em Escuta


Mafalda Arnauth – De Não Saber Ser Loucura
Maio 18, 2008, 1:30 am
Arquivar em: Mafalda Arnauth | Tags: , ,

Vou desvendando sentidos
P´ra descobrir o que é meu

Por coisas assim entrei pelo fado dentro sem perceber como nem porquê, sem pensar fado e a pensar canção.

Gosto no fado de tudo o que é carne agarrada ao osso, sem uma grama de gordura. Do que não está lá para tornar a leitura mais fácil. Do que não sente necessidade de repetir o cânone à exaustão, mesmo que não se desvie do que é suposto ser um fado. Fascinam-me as vozes em tensão, a simplicidade das estruturas, as guitarras.

E gosto de tudo aquilo que me arrepia e suspende e se torna numa quase terapia, num caminho que se vai percorrendo ao longo das balizas do costume, com os ocasionais acrescentos que se atiram ao nosso caminho e não conseguimos não levar para casa.

Vou desvendando sentidos
P´ra descobrir o que é meu
Será que os dias vividos
Me vão dizer quem sou eu.

Vou desbravando este nada
Eterna em mim a procura
Já tenho a alma cansada
De não saber ser loucura.

Vou numa ânsia de morte
Correr aquilo que sou
Quem sabe se um dia a sorte
Não me dirá ao que vou.

E se chegar, não sei onde
Ao onde vou perguntar
Se o que dentro em mim se esconde
É p´ra esquecer ou ficar.


4 Comentários até agora
Publicar um comentário

Não sei se isto quer dizer exactamente o mesmo que tu dizes. Mas, comigo, é assim: não gosto de fado, nunca gostei de fado. Até ao dia em que ouvi a Amália. A cantar aquelas coisas que os puristas da época diziam que “não era fado”. Continuei a detestar fado e a venerar a Amália (nem tudo, mas muita coisa). Depois apareceu o Camané – conversão instantânea. A seguir, a Mafalda Arnauth, especialmente no disco produzido pela Amélia e o Zé Martins. E os cripto-fados da própria Amélia. E a Cristina Branco. E o Ricardo Rocha. E o Custódio Castelo. Algures aí pelo meio, tropecei na Maria Teresa de Noronha e disse “diva”. Mas suspeito que continuo a não gostar mesmo de fado. Embora a devoção por todos esses (quae todos esses) continue em crescendo.

Comentário por João Lisboa

Quer dizer quase exactamente isso, sendo que eu sou um bocado mais permissivo e deixo entrar nessa lista mais uma ou duas coisas.

Comentário por Pedro

No concerto, o Camané cantou uma “coisa” da Amália (Luís Macedo / Alain Oulman), chamada Asas Fechadas, que era, precisamente tudo menos um fado, dificílima e maravilhosa.

Comentário por menina-alice

Com deus Bica a ajudar a tornar mais difícil e maravilhoso, mas sim, nada fado, já muito longe disso.

Comentário por Pedro




Publicar um comentário
As linhas e os parágrafos quebram automaticamente, os endereços de e-mail nunca são mostrados, HTML permitido: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>