Há sempre um dia em que acordamos do sono a pensar que o mundo nos passou ao lado, que dormimos demasiado. Estivemos a noite toda a olhar para o passado e não vimos o comboio a passar lenta e silenciosamente ao nosso lado, à espera de termos tido coragem de saltar lá para dentro – não era dificil, ele vinha mesmo muito devagar (mas era mesmo muito silencioso).
Muito provavelmente estava distraído a atar os cordões dos sapatos, ou à procura de uma caneta para anotar qualquer coisa, ou tinha um projecto importante em mãos (de futuro?), ou então não era nada disso, e terei apenas achado que não era bonito, e que não me iria levar a lado nenhum.
E talvez isso me tenha acordado com a sensação de ter adiado sem razão. Não me pesa, mas obriga-me a estar atento aos horários da estação.
hey you
wanna walk beside me
didn’t i meet you
on one of these interstates(…)
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