Por entre os dias há sempre uns em que pouco importa se eles aparecem ou não. Faz-se sempre comida a contar com mais uns quantos, mesmo sabendo que mais de metade vai acabar por apodrecer. O teu estômago já não aguenta tantos condimentos e eu nunca fui muito fã destas coisas muito pesadas.
Há sempre uns, por entre os dias, em que os cheiros do costume são suficientes. E em que percebemos que, por entre as coisas, as centenas de coisas, que diariamente apelidamos de essenciais, há uma mão cheia delas de que não podemos abdicar.
Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estradaalguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se leralguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos riosalguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar(poema de António José Forte)
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lindo lindo
Comentário por margarete Novembro 10, 2008 @ 2:02 pm