Por mais interessantes que sejam os desafios, por mais absorvente que seja o quotidiano fora do lugar, por melhor que seja a sensação de viver novo mundo, há sempre um dia em que nada é mais importante que o regresso. Em que nada nos desvia os olhos do relógio, que roda devagar a subir as escadas, por entre aquele zumbido que cheira a combustível, a má comida que não conseguimos evitar, a pressão nos ouvidos que aumenta a ansiedade do momento em que aterramos em direcção a casa.
“Where my love lies waiting silently for me”
I’m sitting in the railway station
Got a ticket for my destination
On a tour of one-night stands my suitcase and guitar in hand
And ev’ry stop is neatly planned for a poet and a one-man bandHomeward bound,
I wish I was,
Homeward bound,
Home where my thought’s escaping,
Home where my music’s playing,
Home where my love lies waiting
Silently for meEv’ry day’s an endless stream
Of cigarettes and magazines.
And each town looks the same to me, the movies and the factories
And ev’ry stranger’s face I see reminds me that I long to be,Homeward bound,
I wish I was,
Homeward bound,
Home where my thought’s escaping,
Home where my music’s playing,
Home where my love lies waiting
Silently for meTonight I’ll sing my songs again,
I’ll play the game and pretend
But all my words come back to me in shades of mediocrity
Like emptiness in harmony I need someone to comfort me
Homeward bound,
I wish I was,
Homeward bound,
Home where my thought’s escaping,
Home where my music’s playing,
Home where my love lies waiting
Silently for me
Silently for me
Nos dias de inverno o mar sente que foi abandonado e revolta-se. Qual velho vagabundo zangado com a vida passa meses a urrar, fingindo ignorar os poucos que insistem em não o largar, que continuam a procurar nele alimento para a alma. Esbraceja, furiosamente, repetindo palavras sem sentido aparente e respingado tudo à sua volta. O seu cheiro torna-se impossível de disfarçar. Tudo nele é exuberância e exagero.
Há dias em que se torna impossível não desejar esse mar, trocar tudo por poder estar esquecido na areia a imaginar formas na espuma, a sentir os salpicos na cara, a arrefecer o cérebro e aquecer a alma. Há dias em que o mundo podia ser aquele pequeno quadrado de areia grossa em que enterramos os pés descalços.
Há dias em que só coisas enormes nos podem salvar e ser cura, o que vale é que elas existem.
You look different every time you come
From the foam-crested brine
Your skin shining softly in the moonlight
Partly fish, partly porpoise, partly baby sperm whale
Am I yours? Are you mine to play with?
Joking apart – when you’re drunk you’re terrific when you’re drunk
I like you mostly late at night you’re quite alright
But I can’t understand the different you in the morning
When it’s time to play at being human for a while
Please smile!You’ll be different in the spring, I know
You’re a seasonal beast like the starfish that drift in with the tide
So until your your blood runs to meet the next full moon
You’re madness fits in nicely with my own
Your lunacy fits neatly with my own, my very own
We’re not alone
Filed under: David Bowie, Seu Jorge | Etiquetas: Coisas da alma, o sul dos sonhos
Fugir para Marte seria a pior das soluções para qualquer problema. Reparem que eu tenho agora um curso intensivo de terra vermelha e de água engarrafada para lavar os dentes e passar pela cara depois de fazer a barba, e de comida a que mais tarde ou mais cedo se deixa de perguntar a origem, e que sabe todos os dias ao mesmo.
Mas ainda assim aquilo deve ser um bocado mais difícil do que a vida no imenso Sul. Em Marte não há putos a correr na rua, não há povo a dançar em grande algazarra à porta dos bares, não há gente de sorriso aberto e voz com tempo para tentar explicar uma vida que às vezes parece impossível, não há o cheiro a terra húmida que anuncia a chuva que depois cai como se não houvesse amanhã.
É certo que em Marte também não há pilhas de lixo que parecem nunca desaparecer, bairros onde dificilmente imaginamos poder haver vida, o cheiro constante a gasóleo queimado, o barulho dos geradores que se reproduzem por quintais e pátios.
Mas não apaixona o que é simples e não consigo crescer dentro de uma bolha de plástico que me isole do mundo. Nem o quero conhecer num jogo de toca e foge, num conjunto de cartões postais comprados a correr. Quero sentir-me a terra, e saber onde estou, não quero reproduzir o meu mundo mundo fora. Quero chocar de frente com a realidade, sentir a chuva a cair-me em cima, chegar a casa coberto de pó, poder lutar para não ser diferente dos que partilham este pedaço de mundo comigo.
Eu não quero viver em Marte, sozinho.
Muitas vezes o coração
Não consegue compreender
O que a mente não faz questão
Nem tem forças pra obedecer
Quantos sonhos já destruí
E deixei escapar das mãos
Se o futuro assim permitir
Não pretendo viver em vãoMeu amor não estamos sós
Tem um mundo a esperar por nós
No infinito do céu azul
Pode ter vida em MarteEntão, vem cá me dá a sua língua
Então vem, eu quero abraçar você
Seu poder vem do sol
Minha medida
Meu bem, vamos viver a vida
Então vem, senão eu vou perder quem sou
Vou querer me mudar para uma life on mars





