Não sou muito dado a comemorar aniversários, e a grande maioria das efemérides passa-me ao lado. No meio do aparente abandono a que este espaço tem estado votado, apercebo-me agora que guardo aqui canções desde Março de 2008.
Olho para isto como a sala que continua desarrumada, onde me sinto verdadeiramente em casa, mas onde conheço todas as rachas da parede, as pilhas de livros que nunca estarão arrumados, o espaço que teimo em guardar para coisas que nunca o vão ocupar.
Neste ano e pouco juntaram-se 68 canções nesta compilação. A contagem de posts não reflete o mesmo número porque pelo meio aparece uma repetida – às vezes demoramos a perceber o quanto algumas coisas nos marcam.
Todas elas têm histórias para contar, umas são velhas amigas e um ombro a que regressamos vezes sem conta. Outras passaram por aqui, e não sabemos se um dia vão regressar. Não podemos dizer se são estrela cadente ou cometa, se traçam um efémero risco no céu, que corre o risco de passar despercebido, ou se preparamos o seu regresso no calendário.
Neste dia de balanços há uma nota que me agrada. Fui ver as estatísticas das canções mais ouvidas, e o resultado é este:
1. José Mário Branco – Canto dos Torna Viagem
2. Filarmónica Fraude – O Menino
3. Raimundo Fagner e Chico Buarque – A Aurora
4. José Mário Branco – Emigrantes da Quarta Dimensão (Carta a J.C.)
5. Fausto – A Memória dos Dias
E estas não são nem estrelas cadentes, nem cometas. São rugas que nos vão aparecendo na cara, sorrisos da pessoa que amamos, gargalhada de um miúdo de nove anos, o conforto de dezanove de vida vivida, que se separam automaticamente no conjunto dos trinta e seis.
São das coisas da nossa vida que não nos importamos de partilhar, de dizer em voz alta, e que, felizmente, não precisamos de agradecer.
Tenho à minha janela
Eras tão bonita e eu já te não quero
O que tu não tens à tua
O que tu não tens à tuaUm vaso de manjerico
Eras tão bonita e eu já te não quero
Que dá cheiro a toda à rua
Que dá cheiro a toda à ruaAdeus ó rua da ponte
Eras tão bonita e eu já te não quero
Calçadinha mal sigura
Calçadinha mal siguraE quando o meu Amor passa
Eras tão bonita e eu já te não quero
Não há pedra que não bula
Não há pedra que não bula
Ó lai ó larilolela, ó lai ó larilolo
Ó lai ó larilolela, ó lai ó lariloloAs pedras do meu balcão
Eras tão bonita e eu já te não quero
Estão todas a três a três
Estão todas a três a trêsOs meus amores de algum dia
Eras tão bonita e eu já te não quero
Já cá os tenho outra vez
Já cá os tenho outra vez
2 Comentários até agora
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Agora já ouço. E, mais uns poucos dias, vou ver e sentir. Tu és o meu calendário.
Comentário por menina_Alice Junho 16, 2009 @ 11:09 pmGostei muito do blog. Esta música é muito boa.
Comentário por Carolina Agosto 4, 2009 @ 4:22 pm